09 março 2011

A minha Luta Parva


Não aprecio manifes; aquilo cansa-me: é tudo aos gritos e a música é má. Dizem que é bom para engatar, o Jel e o Falâncio devem facturar imenso, mas eu gosto de mulheres que fazem depilação. Mesmo assim, vou estar na Av. da Liberdade contra a precariedade, os recibos verdes e mais umas quantas deolindices. E vou porquê? Porque me apercebi de que algumas das mais lucrativas empresas nacionais querem fazer de mim um trabalhador sem direitos, um escravo sem salário. Passo a explicar: ao receber umas enormes e repetidas contas da EDP, graças a estimativas desfasadas dos meus actuais consumos, pedi que me lessem o contador todos os meses. Disseram logo que não é possível, que só de três em três meses, e nem sempre. Aconselharam-me a ser eu a ler o contador e a comunicar a leitura para poder pagar o que realmente gasto em cada mês. Ou seja, querem que eu trabalhe, à borla para a empresa de que sou cliente. Se pensarmos bem, há muitos milhares de portugueses a trabalhar, sem saber, para EDP, Águas, Gás, etc. Com jeitinho, o INE ainda arranja maneira de mostrar que em Portugal há pleno emprego. Já vimos Sócrates fazer manipulações de números mais grosseiras. Mas tudo isto ainda é mais evidente na Galp e noutras gasolineiras, que, além de nos roubarem, nos fazem seus empregados já que somos nós a encher o depósito. A gestão moderna, com o self service, substituiu o conceito "em cada cliente um amigo" por "em cada cliente um empregado". Eu, por exemplo, já enchi tantos depósitos que acho que me posso inscrever nas finanças como gasolineiro.

Argumentista/humorista
Luis Pina do i

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