08 junho 2017

Lembranças da Urbanização da Portela e do Arq. Fernando Silva

Nos fins dos Anos 50 do século passado o Ministério das Obras Publicas de Duarte Pacheco fez desenvolver alguns estudos atraves de Planos de Fomento e de Desenvolvimento para soluções de habitação social quer no interior de Lisboa quer nos seus arredores, para apoio à Industrialização do País. Quer com o desenvolvimento industrial que se previa na faixa de Cabo Ruivo ate Vila Franca de Xira quer com as grandes obras do Prolongamento do Aeroporto, do Matadouro Municipal,do Laboratório, dos Quarteis, da 1ª Circular de Lisboa e da auto Estrada do Vale do Tejo havia que acomodar as gentes e suas familias que vieram trabalhar para a Grande Lisboa e se tinham abarracado aqui na zona. Alem do Bairro da Encarnação que ocupou uma área significativa de varias quintas foi projectado para 2500 familias e que começou a ser construido em finais dos anos 40. Encaixada no triângulo de vias rápidas ja projectadas na época ( Auto Estrada do Vale do Tejo - 1ª Circular de Lisboa ( hoje Av.Alfredo Bensaude) - Circular Externa de Lisboa (hoje CRIL ) o Ministério das Obras Publicas pressiona a Câmara de Loures e de Lisboa a entenderem-se com os donos das 7 quintas que existiam nesta área. Por não concordância com essa iniciativa ,o Patriarcado fez retirar desse Ante Projecto as Quintas do Cabeço ( vulgo Quinta do Seminário) e a Quinta dos Candeeiros ( vulgo Quinta das Freiras). Assim o entendimento foi obtido entre os donos das outras 5 Quintas: da Alegria, Ferro, Casquilho,Carmo e Vitoria.
Com o Arquitecto Fernando Silva no inicio dos anos 60, arranca assim um Ante Projecto para a Urbanização da Portela com mais de 4.200 fogos, ultrapassando largamente os 2500 previstos nos anos 50. Isto levou à demissão de um Presidente da Câmara de Loures. Manuel da Mota, empreiteiro da zona de Pombal, acaba por adquirir o Projecto e os terrenos das varias Quintas. A Urbanização da Portela foi um projecto que se enquadrava então dentro das 3 vias rápidas que nos fins dos anos 50 foi proposto e incentivado pelo Ministério das Obras Publicas de Duarte Pacheco e mais tarde por Arantes e Oliveira. Nessa altura houve entendimento entre as freguesias de Sacavem e de Moscavide por parte de Loures e dos Olivais por parte de Lisboa para que a Urbanização da Portela fosse para a frente com todas as infraestruturas que hoje se conhecem. Por tudo isto não era utópico que a Freguesia da Portela quisesse obter o territorio que ja nos anos 50 estavam destinados a esta futura Urbanização.
Moscavide tambem teve um processo idêntico nos anos 30 aquando da criação da sua freguesia com territórios subtraídos às freguesias de Sacavem e dos Olivais.
Pena é que muito recentemente as largas Avenidas e Ruas  que tanto caracterizaram o Projecto do Arq. Fernando Silva tenham sido diminuidas  para instalação de uma duvidosa ciclovia que atormenta a acalmia dos moradores da Portela quando deixou espaços fantasticos para poderem ser trabalhos no futuro. A categoria e o saber dos tecnicos de hoje em dia que interferem na Portela, nada têm a ver com a classe, categoria e visão de futuro de Fernando Silva.
Sendo como foi um arquitecto metódico e rigoroso que não permitiu que empreiteiros, engenheiros e outros arquitectos alterassem o que fosse na escolha da qualidade da construção e dos seus materiais, vêsse hoje um colorido desgarrado dos seus prédios com cores "parecidas" às cores que muito bem definiu com o Ral e os pantones  das cores da Portela.

6 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

É mesmo justa a homenagem que se irá prestar ao Arq. Fernando Silva. A Urbanização da Portela foi a maior e mais bem conseguida obra do Arquitecto.

10:08 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Muito contestada inicialmente esta arquitetura, mas viu-se que era uma arquitetura de futuro com a centralização do seu comercio e das suas zonas de lazer e desportivas. Isto aproximou muito mais as suas gentes e tudo ficou perto.
É um verdadeiro condomínio fechado apesar de por vezes aparecerem por cá umas visitas indesejadas.

11:40 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Se o Arq. fosse vivo e visse a aberração da ciclovia diminuir a dimensão das suas avenidas, era capaz de se atirar do Concorde cá para baixo. Os simplórios arquitectos e técnicos da Câmara teriam muito que aprender com ele. Se no mínimo fossem inteligentes, nunca iriam mexer nas vias estruturantes do grande projecto da Urbanização da Portela na medida em que foram deixados terrenos e espaços para expansões futuras a acompanhar as vias estruturantes.

2:48 da tarde  
Anonymous Pedro Franco disse...

As ciclovias não desvalorizaram a Urbanização da Portela. O Grande Arquiteto Fernando Silva, Autor da Urbanização da Portela, defendia a separação de peões e automóveis. Por isso,quase todas as artérias da Urbanização são impasses. Infelizmente, algumas «avenidas» da Urbanização transformaram-se numa espécie de autoestradas urbanas, que atravessam a Portela ligando a cidade de Lisboa a Sacavém e a outros aglomerados da Zona Norte da Área Metropolitana de Lisboa. A Urbanização idealizada pelo Grande Arquiteto seria uma cidade-jardim, seria um parque urbano sem «autoestradas urbanas», seria um parque verde com blocos residenciais assentes em pilares, com trânsito pedonal sob os blocos. Essa proposta só foi concretizada pontualmente. Em diversos casos, as administrações dos condomínios fecharam os acessos que permitiam o atravessamento pedonal dos blocos. Esta Portela com ciclovias está mais próxima da Portela sonhada pelo Grande Arquiteto. Importa pôr fim ao trânsito automóvel de atravessamento existente no interior da Urbanização. Para tal, os Serviços da Câmara Municipal de Loures estudaram ou estão ainda a estudar a viabilidade da construção de um acesso viário a Sacavém-Bobadela a partir da Autoestrada do Norte. Essa obra é indispensável para combater os «engarrafamentos» e as «autoestradas urbanas» [não são «avenidas»] existentes no interior da Urbanização. Essa obra transformará a Urbanização da Portela num verdadeiro parque verde e residencial. Importa concretizar o sonho magnífico do Arquiteto Fernando Silva.

5:46 da tarde  
Anonymous Jose Bandarra disse...

Aqui o sr Pedro Franco acaba por dar razão ao post que apresentaram e em que o Arq. Fernando Silva idealizou uma cidade jardim com a criação de muitos impasses e com duas grandes avenidas que se cruzavam na sua centralidade. No seu ante projecto ate haveriam passagens pedonais aéreas nas suas avenidas que mais tarde o urbanizador evitou.Tambem os prédios não eram para passar dos 8 andares mas foram para 11-12 e os lotes mais pequenos que seriam de 3 andares passaram para 6.
Com o transito de atravessamento concordo que se tente acabar com ele, pois nunca tinha sido previsto, mas as obras da Ponte a isso obrigaram com o fecho da saida de Sacavem para Lisboa. Onde não previu, apesar do espaço e da sua dimensão foi que a Portela viesse a ter ao fim de 40 anos um parque automovel do dobro do previsto apesar da sua ambiciosa previsão. Por isso a largura das avenidas e os espaços laterais aos passeios estavam já na sua mira de desenvolvimento. A ciclovia tinha tanto espaço por onde passar sem necessidade de criar conflitos junto às Escolas e à saída das rotundas existentes.Não hà duvida nenhuma que a abertura duma via de acesso a Sacavem e à Bobadela é indispensável ao sossego da Portela.
Uma coisa é certa, Fernando Silva nunca previu nem admitiria esta sementeira de pilaretes instalados na Urbanização quando mais no meio das suas estradas que são verdadeiros obstaculos na sua cidade jardim.

4:33 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

A grande diferença é que Fernando Silva sabia de arquitectura e de engenharia. Os seus mais proximos eram engenheiros e não arquitectos. Por isso na epoca os seus pares das Belas Artes não gostavam dele e nem o estudavam e não se interessavam pelas suas obras.Passados estes anos parece ainda que os arquitectos vieram ruminar o trabalho dele, criando um bairrosinho de vivendas de integração,um predio Tutifruti azulado, só para chatear e agora uma ciclovia que podia e muito bem, acompanhar o Canal do Alviela entre a Bobadela e Moscavide e não vir criar uma confusão que os moradores não pretendiam. Ate os ciclistas evitam todo o percurso dentro da Portela, sendo este aproveitado como um bom passeio com bom piso para as pessoas cheias de juventudes,as senhoras com carrinhos das compras, com carrinhos de bebes e os jovens do skate. Atenção que a utilização das ciclovias por não ciclistas dá direito a coimas.

4:48 da tarde  

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