05 janeiro 2020

Historial da AMP - Por Dr. Antonio Mesquita nas Comemorações dos 30 Anos da Associação

 Em 2007 na Presidência de Engº Alvaro Ferreira dos Santos elaborado pelo Vice Presidente Dr. Antonio Mesquita
Historial da AMP
Minhas senhoras e meus senhores,
Coube-me a mim a tarefa de recordar aqui um pouco o que foram estes
trinta anos de associativismo na AMP (de 1977 a 2007), quais os principais
factos e projectos que mais terão marcado a vida da nossa Associação.
E coube-me a mim, não por que fosse o mais apto para fazê-lo ou o que
pelas funções que desempenha ou desempenhou o devesse fazer. Terá sido
antes, uma espécie de punição pela ousadia de ter lido o livro de actas da
AG destes 30 anos, e tentado resumir para todos vós o que de mais
relevante se terá passado neste longo período.
Mas fi-lo com muito prazer e peço-lhes que me relevem qualquer lapso ou
imprecisão que possa ter cometido.
Assim, ao analisarmos a actividade da AMP nestes 30 anos, em meu
entender, será possível identificar quatro ciclos directivos:
 O ciclo da consolidação e organização da associação;
 O ciclo do desenvolvimento;
 O ciclo do projecto das piscinas;
 E o ciclo da renovação e relançamento.
Ciclo da consolidação e reorganização
O primeiro ciclo, da consolidação e reorganização da AMP, vai até aos
finais dos anos setenta.
Nos primeiros mandatos deste primeiro ciclo, os executivos eram eleitos
por períodos de seis meses e foram presididos sucessivamente por Augusto
Valadares e Aristides Andrade Mendes.
De facto, na reunião de 1 de Outubro de 1977, por proposta do presidente
da mesa Francisco Bárrios, ficou estabelecido que o primeiro mandato
deveria ter a duração de 6 meses, apesar dos estatutos indicarem 2 anos.
Esta alteração justificava-se, e vou citar a Acta, “para possibilitar aos
sócios uma melhor escolha de elementos para dirigir os destinos da
Associação”.
Nesta reunião, foram também pedidas inscrições de voluntários para os
corpos gerentes, donde saiu a primeira lista empossada a 4 de Outubro.
Constata-se que os estatutos, desde o início, se mostravam desajustados à
realidade da Associação e, por isso, logo no mandato da primeira Direcção,
se preparou uma proposta de alteração, discutida e aprovada em 3 de Junho
de 1978.
Nestes primeiros tempos, para além da consolidação da associação, as
prioridades centravam-se no problema dos acessos, nas comunicações e na
segurança, nomeadamente em relação às escolas.
Ficaram célebres, na altura, os problemas de segurança, na Gaspar Correia,
relatados, pelo então seu presidente, numa reunião da AMP, em que, e vou
citar, “assaltos repetidos, cometendo-se continuamente actos do mais
requintado vandalismo, desde as destruições de material até ao roubo do
piano e do telefone”, obrigaram a um longo processo, com a intervenção da
Direcção e outros membros da AMP, em várias reuniões com a Câmara.
É também desta altura, a contratação ou tentativa de contratação, de
guardas-nocturnos, porque, e cito, “os assaltos e os roubos são diários
sendo muito urgente fazer-lhes face”.
Entretanto, em 7 de Outubro de 1978, aparentemente devido a
desinteligências ligadas ao processo Gastar Correia, tem lugar a primeira
mudança de Direcção, mantendo-se o executivo, nessa data eleito, até 31 de
Março de 1979.
Ciclo do desenvolvimento
Em 31 de Março de 1979, com a eleição de um primeiro executivo, por um
período de 2 anos, liderado por Jorge Silva Ferreira, inicia-se um período
de franco desenvolvimento da AMP.
Na assembleia-geral de 4 de Maio de 1980, foi apresentado o relatório de
actividade do primeiro ano desse mandato, tendo sido aprovado um voto de
louvor pelo excelente trabalho então realizado. Nesse relatório de
actividade, podem ler-se referências aos principais factos e actividades
desse ano, que passo a citar:
 Foi metida na caixa do correio dos 650 sócios então existentes a
convocatória para essa mesma AG;
 Foi prosseguida a legalização da AMP e aspirava-se, já nessa altura,
ao estatuto de Associação de “Utilidade Pública”, que viria muito
mais tarde a ser concedido (2004 ou 2005);

 Os cartões já estavam na tipografia;
 Que se iria admitir um colaborador em “part-time”;
 Que o objectivo era ter mil sócios inscritos até ao fim desse ano
(1980);
 Que foram estabelecidos contactos para a criação da Junta de
Freguesia da Portela;
 Que a Assembleia Municipal já tinha autorizado a cedência do
terreno ao Patriarcado para a construção da Igreja, prevendo-se o
lançamento da primeira pedra até final desse ano de 1980;
 Que se tinham iniciado as terraplanagens para as zonas desportivas;
 Que se queria um Parque Infantil fora dos moldes habituais;
 Que se tinha já: a Ginástica na Gaspar Correia e o circuito de
manutenção no Parque do Seminário; duas turmas de Judo; Futebol,
com representação em provas federadas; 4 equipas a disputar o
campeonato de futebol de salão: infantis, iniciados, juvenis e
seniores.
 Tinha-se a Biblioteca itinerante da Gulbenkian;
 Tinha-se aberto o Acesso pelo Ralis;
 Foram ainda tomadas posições em relação a vários outros assuntos,
destacando-se:
 Ampliação do aeroporto da Portela;
 Cobertura territorial da Repartição de Finanças de Moscavide;
 Necessidade de transportes públicos para a Portela;
 Arranjo da zona verde anexa ao quartel do Ralis;
 Parecer referente à instalação de pistas de automóveis
eléctricos;
 Curso de socorrismo da Cruz Vermelha.

Naturalmente que o trabalho realizado há 25 ou 30 anos, só pode ser hoje
aqui recordado, graças ao excelente relatório, na altura feito e lavrado em
acta.
Os livros de actos são, de facto, a memória da Associação!
Porventura, outros mandatos foram igualmente produtivos, mas a verdade é
que o relatório deste ano de mandato é particularmente eloquente, na
descrição do trabalho realizado, contrastando com muitas outras situações,
em que isso não foi feito da mesma forma, e é pena!
E este trabalho, iniciado em 1979, e magnificamente reportado, foi
continuado nos mandatos seguintes, liderados sucessivamente por Tavares
Regal (1981/82), Lopes dos Santos (1983/84), Andrade Mendes (1985/86),

Pereira da Silva (1987/88 e 1989/90) e de novo por Tavares Regal
(1991/92).
Mas as preocupações organizativas continuavam. Para além da revisão dos
estatutos (já em 1978) e da “Utilidade Pública”, já anteriormente referidas,
apontava-se ainda:
 A necessidade de admissão de um funcionário, em 1979;
 A meta de 1.000 sócios, até final de 1979;
 E o aumento de quotas para 50$00, em 1981.
A grande maioria dos projectos mais marcantes da AMP foi iniciada
durante este período, incluindo o início do projecto das Piscinas, de que se
começa a falar já em 1985 e cuja construção se viria a iniciar só em 1994.
De entre esses projectos podemos destacar:
 Instalações para a nova sede (1983)
 O complexo do Ténis (1984)
 O polidesportivo (1985)
 Criação da Junta de Freguesia da Portela (1985)
 O Parque Infantil (1988)
 O Jardim e respectiva vedação.
No relatório referente ao mandato de Lopes dos Santos (1983/84),
afirmava-se: as prioridades, para além da criação da Junta de Freguesia,
foram para a construção do Complexo do Ténis. O Parque Infantil teve de
ficar para segundo plano.
Datam também deste período a criação e desenvolvimento das principais
modalidades desportivas:
 Ginástica de manutenção na Gaspar Correia;
 Futebol de 11 (1978/79), com grande incremento entre 1981 e 1983;
 Judo (1978/79);
 Natação (1980/81);
 Futebol de 5, que veio a dar origem ao Futsal (1983);
 Canto Coral (1984);
 Dança Jazz, Ballet, etc, etc
São também desta época:

 O projecto de arborização dos espaços verdes;
 As lutas pelas carreiras de autocarros;
 Correios:
 Oposição à construção clandestina da urbanização junto à
Gaspar Correia.

Em 1988, ainda se discutia a prioridade da construção do Parque Infantil
(para a qual não tinha sido fácil obter apoios públicos), em relação ao
Polidesportivo.
Mas, a vedação da Zona Verde já estava concluída em 70%.

Ciclo das Piscinas
Este ciclo inicia-se muito antes de 1992, primeiro ano da longa era
Sebastião Simões.
De facto, as primeiras referências às Piscinas aparecem em 1985, e a partir
de 1989, todas as prioridades da AMP desembocam neste projecto, tendo a
primeira pedra sido lançada em 1994 (há portanto, 13 anos). Não existem
nas actas das AGs deste período referências a muitas outras actividades.
Mas, ainda assim, merecem menção especial:
 Resposta à tentativa de ocupação da Escola Secundária
 Novo logótipo da AMP
 Reestruturação da Secretaria
 Início do processo “Utilidade Pública”
 Primeiro Boletim Informativo da AMP
Em 2000, o projecto das Piscinas é interrompido.
Perante a derrapagem dos custos de construção, induzida por elevadas taxas
de inflação, que na altura se verificavam, e pelo atraso nas obras, e perante
a falta dos prometidos e indispensáveis apoios públicos, a AMP assume a
sua incapacidade para concluir o projecto, negociando com a CML e
Gesloures um protocolo, que viria a ser concluído e assinado já em 2003.
Como está agora à vista de todos, esta decisão mostrou-se acertada e está a
dar os seus frutos.
Ciclo da renovação e relançamento
Em 2001, inicia-se um novo ciclo directivo na AMP, com a eleição de uma
nova geração de dirigentes que se tem mantido até hoje.
Em finais de 2006, permaneciam fiéis na AMP cerca de 2.000 associados,
dos mais de seis mil inscritos durante estes 30 anos. A sua actividade
principal girava à volta do Futsal, assente financeiramente nas receitas do
Polidesportivo de relva sintética e no Ténis com mais de 100 praticantes.
Todas as outras actividades, tais como, Dança Jaz, Ginástica de
Manutenção, Manutenção Moderada, Yoga e Karaté, quer em número de
praticantes quer em recursos envolvidos, tinham, de facto, uma importância
muito menor.
Em 2007, com a conclusão, longamente esperada, do Complexo de Piscinas
e Ginásios, está a iniciar-se o relançamento da AMP. A actual equipa
directiva mete de novo mãos à obra, assumindo um papel activo e
empenhado na exploração deste complexo, prevendo-se a mudança dos
seus serviços para as novas instalações e a criação de uma parceria para a
exploração do conjunto de Ginásios que protocolarmente lhe estão
reservados neste complexo.
Tenho dito.
Portela, 30 de Setembro de 2007
António Mesquita
PS: Elaborado tendo por fonte principal o livro de actas das assembleias
gerais da AMP.

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