05 janeiro 2020

Historial da AMP - Por Dr. Antonio Mesquita nas Comemorações dos 30 Anos da Associação

 Em 2007 na Presidência de Engº Alvaro Ferreira dos Santos elaborado pelo Vice Presidente Dr. Antonio Mesquita
Historial da AMP
Minhas senhoras e meus senhores,
Coube-me a mim a tarefa de recordar aqui um pouco o que foram estes
trinta anos de associativismo na AMP (de 1977 a 2007), quais os principais
factos e projectos que mais terão marcado a vida da nossa Associação.
E coube-me a mim, não por que fosse o mais apto para fazê-lo ou o que
pelas funções que desempenha ou desempenhou o devesse fazer. Terá sido
antes, uma espécie de punição pela ousadia de ter lido o livro de actas da
AG destes 30 anos, e tentado resumir para todos vós o que de mais
relevante se terá passado neste longo período.
Mas fi-lo com muito prazer e peço-lhes que me relevem qualquer lapso ou
imprecisão que possa ter cometido.
Assim, ao analisarmos a actividade da AMP nestes 30 anos, em meu
entender, será possível identificar quatro ciclos directivos:
 O ciclo da consolidação e organização da associação;
 O ciclo do desenvolvimento;
 O ciclo do projecto das piscinas;
 E o ciclo da renovação e relançamento.
Ciclo da consolidação e reorganização
O primeiro ciclo, da consolidação e reorganização da AMP, vai até aos
finais dos anos setenta.
Nos primeiros mandatos deste primeiro ciclo, os executivos eram eleitos
por períodos de seis meses e foram presididos sucessivamente por Augusto
Valadares e Aristides Andrade Mendes.
De facto, na reunião de 1 de Outubro de 1977, por proposta do presidente
da mesa Francisco Bárrios, ficou estabelecido que o primeiro mandato
deveria ter a duração de 6 meses, apesar dos estatutos indicarem 2 anos.
Esta alteração justificava-se, e vou citar a Acta, “para possibilitar aos
sócios uma melhor escolha de elementos para dirigir os destinos da
Associação”.
Nesta reunião, foram também pedidas inscrições de voluntários para os
corpos gerentes, donde saiu a primeira lista empossada a 4 de Outubro.
Constata-se que os estatutos, desde o início, se mostravam desajustados à
realidade da Associação e, por isso, logo no mandato da primeira Direcção,
se preparou uma proposta de alteração, discutida e aprovada em 3 de Junho
de 1978.
Nestes primeiros tempos, para além da consolidação da associação, as
prioridades centravam-se no problema dos acessos, nas comunicações e na
segurança, nomeadamente em relação às escolas.
Ficaram célebres, na altura, os problemas de segurança, na Gaspar Correia,
relatados, pelo então seu presidente, numa reunião da AMP, em que, e vou
citar, “assaltos repetidos, cometendo-se continuamente actos do mais
requintado vandalismo, desde as destruições de material até ao roubo do
piano e do telefone”, obrigaram a um longo processo, com a intervenção da
Direcção e outros membros da AMP, em várias reuniões com a Câmara.
É também desta altura, a contratação ou tentativa de contratação, de
guardas-nocturnos, porque, e cito, “os assaltos e os roubos são diários
sendo muito urgente fazer-lhes face”.
Entretanto, em 7 de Outubro de 1978, aparentemente devido a
desinteligências ligadas ao processo Gastar Correia, tem lugar a primeira
mudança de Direcção, mantendo-se o executivo, nessa data eleito, até 31 de
Março de 1979.
Ciclo do desenvolvimento
Em 31 de Março de 1979, com a eleição de um primeiro executivo, por um
período de 2 anos, liderado por Jorge Silva Ferreira, inicia-se um período
de franco desenvolvimento da AMP.
Na assembleia-geral de 4 de Maio de 1980, foi apresentado o relatório de
actividade do primeiro ano desse mandato, tendo sido aprovado um voto de
louvor pelo excelente trabalho então realizado. Nesse relatório de
actividade, podem ler-se referências aos principais factos e actividades
desse ano, que passo a citar:
 Foi metida na caixa do correio dos 650 sócios então existentes a
convocatória para essa mesma AG;
 Foi prosseguida a legalização da AMP e aspirava-se, já nessa altura,
ao estatuto de Associação de “Utilidade Pública”, que viria muito
mais tarde a ser concedido (2004 ou 2005);

 Os cartões já estavam na tipografia;
 Que se iria admitir um colaborador em “part-time”;
 Que o objectivo era ter mil sócios inscritos até ao fim desse ano
(1980);
 Que foram estabelecidos contactos para a criação da Junta de
Freguesia da Portela;
 Que a Assembleia Municipal já tinha autorizado a cedência do
terreno ao Patriarcado para a construção da Igreja, prevendo-se o
lançamento da primeira pedra até final desse ano de 1980;
 Que se tinham iniciado as terraplanagens para as zonas desportivas;
 Que se queria um Parque Infantil fora dos moldes habituais;
 Que se tinha já: a Ginástica na Gaspar Correia e o circuito de
manutenção no Parque do Seminário; duas turmas de Judo; Futebol,
com representação em provas federadas; 4 equipas a disputar o
campeonato de futebol de salão: infantis, iniciados, juvenis e
seniores.
 Tinha-se a Biblioteca itinerante da Gulbenkian;
 Tinha-se aberto o Acesso pelo Ralis;
 Foram ainda tomadas posições em relação a vários outros assuntos,
destacando-se:
 Ampliação do aeroporto da Portela;
 Cobertura territorial da Repartição de Finanças de Moscavide;
 Necessidade de transportes públicos para a Portela;
 Arranjo da zona verde anexa ao quartel do Ralis;
 Parecer referente à instalação de pistas de automóveis
eléctricos;
 Curso de socorrismo da Cruz Vermelha.

Naturalmente que o trabalho realizado há 25 ou 30 anos, só pode ser hoje
aqui recordado, graças ao excelente relatório, na altura feito e lavrado em
acta.
Os livros de actos são, de facto, a memória da Associação!
Porventura, outros mandatos foram igualmente produtivos, mas a verdade é
que o relatório deste ano de mandato é particularmente eloquente, na
descrição do trabalho realizado, contrastando com muitas outras situações,
em que isso não foi feito da mesma forma, e é pena!
E este trabalho, iniciado em 1979, e magnificamente reportado, foi
continuado nos mandatos seguintes, liderados sucessivamente por Tavares
Regal (1981/82), Lopes dos Santos (1983/84), Andrade Mendes (1985/86),

Pereira da Silva (1987/88 e 1989/90) e de novo por Tavares Regal
(1991/92).
Mas as preocupações organizativas continuavam. Para além da revisão dos
estatutos (já em 1978) e da “Utilidade Pública”, já anteriormente referidas,
apontava-se ainda:
 A necessidade de admissão de um funcionário, em 1979;
 A meta de 1.000 sócios, até final de 1979;
 E o aumento de quotas para 50$00, em 1981.
A grande maioria dos projectos mais marcantes da AMP foi iniciada
durante este período, incluindo o início do projecto das Piscinas, de que se
começa a falar já em 1985 e cuja construção se viria a iniciar só em 1994.
De entre esses projectos podemos destacar:
 Instalações para a nova sede (1983)
 O complexo do Ténis (1984)
 O polidesportivo (1985)
 Criação da Junta de Freguesia da Portela (1985)
 O Parque Infantil (1988)
 O Jardim e respectiva vedação.
No relatório referente ao mandato de Lopes dos Santos (1983/84),
afirmava-se: as prioridades, para além da criação da Junta de Freguesia,
foram para a construção do Complexo do Ténis. O Parque Infantil teve de
ficar para segundo plano.
Datam também deste período a criação e desenvolvimento das principais
modalidades desportivas:
 Ginástica de manutenção na Gaspar Correia;
 Futebol de 11 (1978/79), com grande incremento entre 1981 e 1983;
 Judo (1978/79);
 Natação (1980/81);
 Futebol de 5, que veio a dar origem ao Futsal (1983);
 Canto Coral (1984);
 Dança Jazz, Ballet, etc, etc
São também desta época:

 O projecto de arborização dos espaços verdes;
 As lutas pelas carreiras de autocarros;
 Correios:
 Oposição à construção clandestina da urbanização junto à
Gaspar Correia.

Em 1988, ainda se discutia a prioridade da construção do Parque Infantil
(para a qual não tinha sido fácil obter apoios públicos), em relação ao
Polidesportivo.
Mas, a vedação da Zona Verde já estava concluída em 70%.

Ciclo das Piscinas
Este ciclo inicia-se muito antes de 1992, primeiro ano da longa era
Sebastião Simões.
De facto, as primeiras referências às Piscinas aparecem em 1985, e a partir
de 1989, todas as prioridades da AMP desembocam neste projecto, tendo a
primeira pedra sido lançada em 1994 (há portanto, 13 anos). Não existem
nas actas das AGs deste período referências a muitas outras actividades.
Mas, ainda assim, merecem menção especial:
 Resposta à tentativa de ocupação da Escola Secundária
 Novo logótipo da AMP
 Reestruturação da Secretaria
 Início do processo “Utilidade Pública”
 Primeiro Boletim Informativo da AMP
Em 2000, o projecto das Piscinas é interrompido.
Perante a derrapagem dos custos de construção, induzida por elevadas taxas
de inflação, que na altura se verificavam, e pelo atraso nas obras, e perante
a falta dos prometidos e indispensáveis apoios públicos, a AMP assume a
sua incapacidade para concluir o projecto, negociando com a CML e
Gesloures um protocolo, que viria a ser concluído e assinado já em 2003.
Como está agora à vista de todos, esta decisão mostrou-se acertada e está a
dar os seus frutos.
Ciclo da renovação e relançamento
Em 2001, inicia-se um novo ciclo directivo na AMP, com a eleição de uma
nova geração de dirigentes que se tem mantido até hoje.
Em finais de 2006, permaneciam fiéis na AMP cerca de 2.000 associados,
dos mais de seis mil inscritos durante estes 30 anos. A sua actividade
principal girava à volta do Futsal, assente financeiramente nas receitas do
Polidesportivo de relva sintética e no Ténis com mais de 100 praticantes.
Todas as outras actividades, tais como, Dança Jaz, Ginástica de
Manutenção, Manutenção Moderada, Yoga e Karaté, quer em número de
praticantes quer em recursos envolvidos, tinham, de facto, uma importância
muito menor.
Em 2007, com a conclusão, longamente esperada, do Complexo de Piscinas
e Ginásios, está a iniciar-se o relançamento da AMP. A actual equipa
directiva mete de novo mãos à obra, assumindo um papel activo e
empenhado na exploração deste complexo, prevendo-se a mudança dos
seus serviços para as novas instalações e a criação de uma parceria para a
exploração do conjunto de Ginásios que protocolarmente lhe estão
reservados neste complexo.
Tenho dito.
Portela, 30 de Setembro de 2007
António Mesquita
PS: Elaborado tendo por fonte principal o livro de actas das assembleias
gerais da AMP.

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16 dezembro 2017

Historia da Portela - Genese da criação da Associação dos Moradores

A intervenção policial em Setembro de 1978 na gestão de Riço Calado na presidencia da Câmara de Loures obrigou a que os moradores da Portela se juntassem e unissem criando uma Comissão e posteriormente uma Associação de Moradores.
As imagens deste link de arquivo são da epoca da carga policial

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29 janeiro 2016

O que alguem dizia da Portela em 2009. Dá para apreciar.

O que alguem dizia da Portela em 2009. Dá para apreciar.
Old March 17th, 2009, 06:31 AM   #68
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Portela... que aqui estás... à porta de Lisboa.

Não sou da Portela. Sou açoriano. E estou a viver na Portela hà 5 anos enquanto cá estudo. Já estive em todos continentes. Já estudei em 3 deles. Tenho amigos em quase todas as zonas de Lisboa. Ao princípio deprimi quando cá cheguei, pensei "prédios todos iguais, que feio, parecem cómodas, e eu estou metido no andar x do lado esquerdo desta cómoda tipo roupa".
Com o tempo fui percebendo outras coisas. Fui conhecendo a Lisboa na sua essência. Lisboa como um todo. E fui dando mais valor a esta zona.

A Portela é uma espécie de floresta de cimento.
As pessoas com a falta de civismo habitual e porque não há fiscalização foram estragando o conceito da urbanização em si. Com mudança de cores das janelas, com fechamento de varandas, com parabólicas e com ar-condicionados (as ditas "externalidades" de Economia). Não perceberam que a Portela vivia por um todo. As pessoas estariam todas direccionadas para o Centro Comercial da zona. Eram intervenientes. Não há só alguns jogadores principais. Não há estrelas nesta urbanização. Mas pertencem todas a uma equipa. Um todo.

(e numa sociedade capitalista e individualista como a nossa... a Urbanização da Portela fica "fora do que é cool e trendy" )

Assim, a Portela deve ser analisada pelo todo que é.
Todos temos vista do rio. As habitações foram construídas de forma "socialista" a que todos fossemos iguais por fora (e diferentes por dentro nas habitações), onde só um edifício, o Concórdia (o Terceiro maior edifício na área de Lisboa na altura em que foi construído e ainda um dos maiores de Lisboa)que é o centro da Urbanização a par do Centro Comercial da Portela fossem diferentes.

Há que compreender o cariz do conceito desta zona... que é muito mais que o físico todo planeado e esquematicamente desenhado. Os prédios são todos muito simples porque assim neste conceito o devem ser. São de uma cor pouco apelativa, e feia mas que se fundiriam com o verde das árvores. Mas são únicos. Em qualquer local do mundo reconheceria a Portela. Tem um conceito, é urbanismo na sua máxima ascensão. Feio ou não, tem personalidade. É forte.

Aqui na Portela não há trânsito. Todos temos pelo menos uma garagem e parques de estacionamento extra privativo do condomínio. Além de termos estacionamento em quantidade pelas ruas e avenidas, assim parar o carro nunca é difícil.. As ruas confluem todas para largas avenidas. Temos a Segunda circular à porta. Ponte Vasco da Gama. Saída para a A1 e para a A8. Temos jardins bem tratados e em quantidade, temos o jardim do seminário dos Olivais com vegetação exótica, piscina, parque infantil, campo de futebol relvado, ginásio, courts de ténis, centro comercial com tudo o que se quer à mão, bancos, super-mercado, correios, lojas diversas, restaurantes vários. Creche, Escolha Básica e Escola Secundária colocada no top 10 nacional de melhores notas nos últimos anos. Igreja nova e muito diferente e bastante bonita/única quer por dentro quer por fora. Biblioteca. Centro Paroquial e Social. Morgue. É uma Urbanização quase plana em que dá para andar bastante bem a pé e de bicicleta. A casa menor construída será um T2 e andará à volta dos 110 metros quadrados. Em médias os apartamentos serão T3´s em média com 130 m^2 .Alguns ainda detêm quarto de empregada. Os acabamentos em geral são bastante bons e os halls de entrada no condomínio são amplos e forrados a mármore. Todos temos um pátio para as crianças brincarem nas traseiras dos prédios no rés-do-chão com cerca de 200 metros quadrados. Está colocada numa zona alta por isso tem uma luz fascinante. Tem casas com vistas excelentes e amplas sobre o Rio Tejo e sobre a ponte Vasco da Gama. Está pertinho do Parque das Nações, de Alvalade, de colégios, do rio, do Vasco da Gama e da Gare do Oriente...

Esta Urbanização tem pouco mais de 30 anos, as coisas envelhecem mas temos de ver o seu potencial.
O que é novo agora vai envelhecer…será que tudo irá envelhecer com esta qualidade? Espero que sim.
As única coisa que tenho pena na Portela é que não tenha um melhor sistema de transportes públicos. Metro era ideal. Um centro de sáude, uma polícia e um centro de dia para idosos, além disso continuo a achar que está um pouco longe do centro de Lisboa (mas o mesmo acontece com o Parque das Nações)... de resto...

...se isto não é qualidade de vida o que é?

P.s- Outra coisa, a Portela não é Portela de Sacavém hà mais de dez anos... além disso faz parte do concelho de Loures e não de Sacavém ...

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26 outubro 2015

Portela, uma urbanização viva feita de “pioneiros” e “novos residentes”


Portela, uma urbanização viva feita de “pioneiros” e “novos residentes”

A socióloga Sandra Marques Pereira investigou este conjunto habitacional, nascido na década de 70 do século passado em Loures, e percebeu quem são os que lá vivem. Pelo meio descobriu uma expressão que desconhecia: “ser portelense”.
 A Urbanização da Portela tem uma escala humana que os prédios vistos ao longe não permitem adivinhar RUI GAUDÊNCIO
Para quem a vê de fora, a impressão que fica da Urbanização da Portela, no concelho de Loures, não é provavelmente a mais agradável: aos olhos de quem atravessa a Ponte Vasco da Gama, a imagem que se impõe é a de um monte de prédios, altos, praticamente iguais entre si, ladeados por grandes vias de comunicação. Mas quem entra neste conjunto habitacional descobre uma realidade diferente, um bairro vivo, com qualidade urbana, e onde apesar de haver ainda muitas pessoas que aí moram desde o início se assiste a uma renovação geracional assinalável. Fátima Brito Soares é uma das “pioneiras”, uma das moradoras que primeiro se instalaram na urbanização, cujos prédios começaram a ser construídos no ano de 1970. 
Já Sara Pisco faz parte dos “novos residentes”, daqueles que chegaram a partir de 2000, alguns pela primeira vez, outros depois de terem abandonado a casa dos pais na urbanização e decidido regressar à Portela depois de alguns anos a viver noutros locais. As designações dos diferentes grupos de moradores são de Sandra Marques Pereira, investigadora do Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (Dinâmia'Cet), do ISCTE-IUL, que está a desenvolver “um estudo de caso aprofundado” sobre a Portela. A investigadora, doutorada em sociologia, explica que aquilo que se procurou fazer foi lançar “um olhar focado e intenso”, “com metodologias muito diversas”, sobre o bairro, projectado pelo arquitecto Fernando Silva a pensar na classe média-alta. Uma das vertentes desse estudo foi, detalha, a realização de “um inquérito representativo à população e de entrevistas de aprofundamento dos resultados”. Através desse inquérito foi possível identificar “quatro perfis” de moradores: os “pioneiros”, aqueles que se poderão designar por “nativos” (que vivem na Portela desde que nasceram), os que ali se instalaram nos anos 80 e 90 e finalmente os “novos residentes”. Os primeiros representam 44% da população e os últimos 27%, sendo estes os dois grupos mais representativos.

 Sandra Marques Pereira destaca que entre os “pioneiros” há dois subgrupos distintos: um formado por pessoas que vieram das ex-colónias, fundamentalmente de Angola e de Moçambique, e outro de pessoas que saíram de Lisboa, “à procura de uma casa boa, grande com luz”, e na maioria dos casos também à procura de serem proprietários de uma habitação.
 “Os de Lisboa eram pessoas da classe média em ascensão, a maior parte deles licenciados”, descreve a investigadora, acrescentando que no essencial estavam em causa casais “em início do ciclo de vida familiar”. Já os oriundos das ex-colónias “partilhavam a mesma classe”, embora “eventualmente não tivessem um grau de instrução tão elevado”. “Eram sobretudo funcionários públicos e empreendedores”, diz, referindo que alguns chegaram à Portela já com filhos “de dez, 12 anos”. Fátima Brito Soares é um dos rostos do primeiro subgrupo. “Vim para a Portela faz 36 anos para a semana. Foi no dia 30 de Outubro de 1979”, conta. O nível de detalhe não é de estranhar, uma vez que a data da mudança para a urbanização foi também o dia do seu casamento. Esta moradora, que se orgulha de ter mantido a casa “exactamente” como estava quando a comprou, conta que no momento de sair de casa dos pais ainda procurou casa em Lisboa. “Comecei por ver no Restelo, mas pediram-me uma barbaridade”, diz, explicando que a Portela, que “era um bairro em construção, de que toda a gente falava” e onde moravam algumas colegas suas de escola, surgiu como uma opção natural. “Achámos a casa boa, com dimensão. Cada quarto tinha um roupeiro e havia três casas de banho.


 E achei graça à organização do espaço”, refere. A juntar a isso, havia a garagem individual e o facto de o prédio ficar “ao fundo da rua”, permitindo que tivesse uma vista desafogada. E a urbanização, como era nessa altura? “Em termos de equipamentos era um caos. Só havia uma escola pré-fabricada. E espaços verdes, nada”, constata, recordando que para chegar ao Centro Comercial da Portela era preciso caminhar “por cima de pedras e terra”. Outra coisa de que Fátima se recorda é que quando queria fazer um telefonema a única hipótese era recorrer à cabine pública instalada no fim da rua. “Esperei três anos para que me pusessem o telefone. Eu e o meu marido às vezes dizemos, a brincar, que a outra casa [a que chegou a ver no Restelo] era mais cara mas tinha telefone”, conta a rir-se. Porquê morar num “estaleiro”? Passados os primeiros tempos, e passados os “anos muito ruins” em que aquela zona esteve virada do avesso por causa das obras da Expo’98, a Portela “melhorou”. Novos acessos foram construídos, os espaços verdes apareceram e os equipamentos também. Hoje, existem na urbanização escolas de vários graus de ensino, campos de ténis e de futebol, piscinas, parques infantil, um parque urbano e uma igreja, benfeitorias que muitos atribuem em grande parte ao papel interventivo que a associação de moradores e a junta de freguesia (que entretanto se fundiu com a de Moscavide) tiveram. Face ao cenário com que se depararam os primeiros moradores, que se instalaram num local que parecia “um estaleiro”,
Sandra Marques Pereira faz a pergunta natural: “Porque é que os pioneiros foram para ali?”. À resposta não é indiferente o facto de esse “inacabado” ser “absolutamente normal” para a época, mas aquilo que mais pesa, segundo a socióloga, é mesmo o facto de “a prioridade” para aquelas pessoas ser “a casa”. “As pessoas estavam mais vocacionadas para o espaço privado”, constata, sublinhando que a esse nível aquilo que a Portela prometia “era a modernidade total”. “As casas eram moderníssimas, novas, grandes, com muita luz, e tinham um preço acessível”, resume. A acrescer a isso há um aspecto que, como sublinha Sandra Marques Pereira, foi “absolutamente determinante na vivência” dos residentes: a existência de pátios em cada um dos prédios.
“Era onde se brincava. Os pátios são uma das memórias fundamentais dos miúdos da Portela”, refere. “Quase toda a gente tinha miúdos pequenos. Nas férias, quando estava bom tempo, lá atrás era uma barulheira enorme de crianças. E era uma coisa segura, porque a porteira estava de olho neles”, confirma Fátima Brito Soares, notando que assim nasceram várias das amizades do seu filho. “Dávamo-nos muito bem. Chegámos a fazer arraiais de Santo António lá em baixo”, diz ainda, não sem deixar escapar um lamento de que hoje esses “laços de vizinhança” já não são tão fortes. Ainda assim, a residente de 67 anos, admite que conhece “muita gente” na urbanização, a começar pelos habitantes do apartamento do lado: num caso que não é único nesta urbanização, o filho de Fátima ficou a morar na Portela, depois de ter saído de casa dos pais. Com ele vivem a mulher e as duas filhas, que contam diariamente com a presença e o apoio dos avós. Caso semelhante é o de Sara Pisco, que foi morar para ali assim que saiu da maternidade, “quando tinha três dias”. Aos 26, quando surgiu a oportunidade de arrendar uma casa na zona do Rato, que se lembra de ser “muito baratinha”, abandonou a casa dos pais. “Vivi numa quantidade de casas, por Lisboa inteira. Tenho pesadelos com caixas de mudanças”, refere, contando que no meio desse percurso casou e teve uma filha, que tem hoje três anos. Já depois de se divorciar voltou para o apartamento da mãe, onde esteve pouco tempo: assim que teve “condições financeiras”, arrendou o seu próprio apartamento, também na Portela. E porquê a Portela? “Porque a minha mãe vive lá”, começa por dizer Sara.
“Percebemos as vantagens dos subúrbios quando temos crianças”, acrescenta logo depois, explicando que na urbanização encontrou uma creche a poucas centenas de metros de casa, parques infantis, “imensos” espaços verdes e uma piscina municipal “óptima”, além de um lugar “seguro” para criar a sua filha. “Na verdade não desgosto de viver na Portela. Entram pelos olhos a dentro as vantagens que tem”, resume esta residente de 37 anos, que integra o tal grupo dos chamados “novos residentes”. Sara diz que são muitas as caras que reconhece da sua infância, concluindo que “há montes de gente que saiu da Portela e voltou para ter filhos”. Foi também essa a conclusão a que chegou Sandra Marques Pereira. “O bairro é um enclave muito fechado sobre si próprio”, começa por dizer, explicando que isso levou a que muitos adolescentes ou jovens adultos tenham sentido a dada altura “necessidade de sair” dali. Mais tarde, devido às “redes locais de apoio”, muitos deles acabaram por regressar. “Um dos aspectos que mais me surpreendeu é que os novos residentes têm todos familiares ali”, destaca a investigadora, constatando que a Portela “é um bairro de famílias”. Ser portelense Ao longo da investigação que fez, Sandra Marques Pereira deparou-se com uma expressão que não conhecia e que “remete para a construção de uma identidade local”: “ser portelense”. Já para Sara Pisco, que de quando em quando faz publicações nas redes sociais com a hashtag (etiqueta) “verdadeira portelense”, esta é uma designação que faz todo o sentido. Essas publicações, conta, podem poreee exemplo incluir fotografias de “um saco do Suportel”, “um croissant do Tarik”, ou “um almoço do Tabuleiro”. Para quem não vive ou viveu na Portela, é preciso decifrar que Sara está a referir-se a um supermercado, a uma croissanteria e a uma pastelaria/restaurante, todos localizados naquele que é o local em torno do qual se desenvolve toda a urbanização: o Centro Comercial da Portela. Também aí se pode ainda hoje encontrar aquela que foi a primeira casa da Portela Cafés, uma marca que entretanto ganhou nome e se expandiu para várias outras localizações em Loures e Lisboa. A ideia inicial, conta o único dos dois sócios fundadores que permanece ligado ao negócio, era instalar no local uma retrosaria, mas a descoberta de “uma casa de café” de sucesso na vizinha Moscavide levou a uma mudança de planos. 
 “Tínhamos uma máquina de café em grão, para degustação, mas o que sobreviveu foi a bica. As pessoas chegavam a fazer fila para beber aqui um café. Vinha gente de Cascais e de Oeiras”, recorda Ângelo Marçal. Além de ser proprietário daquela que é uma das poucas lojas iniciais do centro comercial que resistiram ao passar do tempo, o empresário é também morador na Portela, onde chegou depois de vários anos em Angola. “Tem uma comodidade de viver muito grande. Há aqui umas condições fabulosas”, avalia Ângelo, referindo-se à urbanização. E os seus elogios estendem-se ao edifício circular que muitos vêem como sendo o coração do bairro: “Este centro comercial é muito superior a qualquer outro. Não lhe falta nada, até um notário tem. Toda a gente vem aqui”, diz com orgulho. “A Portela é a Portela”, conclui, como se mais não fosse preciso dizer. Além desta urbanização em Loures, na qual viverão hoje qualquer coisa como dez mil pessoas, a equipa da qual Sandra Marques Pereira é um dos elementos está a estudar outros dois casos: o do Bairro Prenda, em Luanda (da equipa do arquitecto Fernão Lopes Simões de Carvalho), e o do conjunto STDM, em Macau (do arquitecto Manuel Vicente). Intitulado Habitações para o Maior Número, este projecto é coordenado por Ana Vaz Milheiro, doutorada em Arquitectura e Urbanismo e investigadora do DINÂMIA’CET, e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Este projecto, como se explica em informação escrita sobre o mesmo, “procura compreender de que forma o modelo de urbanização moderna típico das décadas de 1960 e 1970 – constituído por edifício altos, fora da cidade tradicional e com grandes espaços abertos – foi utilizado em três contextos sociais, geográficos e culturais muito diferentes”.

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14 outubro 2015

PORTELA: Historias, Vivências e Perspectivas de Futuro

Conversa aberta. 1 mensagem lida.
Debate / Workshop sobre a Portela e as suas historias.
Pode ser um debate em que sejam aprofundados alguns conhecimentos que já têm sido apresentados na Portela por varios estudos efectuados por quem acompanhou a evolução das Quintas da Portela desde os anos 50 do seculo passado.



Workshop
Caros associados

Realizar-se-á no próximo dia 16 de Outubro um Debate/Workshop, aberto a toda a comunidade, de apresentação dos resultados de um trabalho de investigação (financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia), realizado por investigadores universitários do ISCTE/IUL, que a AMP tem o prazer de apoiar.

Este debate tem o tema:

Portela: Histórias, Vivências e Perspectivas de Futuro"

Venha assistir / participar.
Local: instalações da AMP.

Cordiais cumprimentos
A Direcção
 newsletter AMP.

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11 janeiro 2013

A Historia da PORTELA na Universidade Senior

Na aula do FORUM da Portela Sabios foi apresentada no dia 9 a 1ª Sessão sobre a historia da Portela. Um trabalho desenvolvido pelos alunos Alvaro Santos e Antonio Mesquita com a devida investigação no Arquivo Municipal de Loures.
A 1ª sessão , apresentada por Antonio Mesquita, desenvolveu os estudos havidos desde os anos 50 do seculo passado ate ao Ante Plano da urbanização das quintas da Portela, à expansão do Aeroporto da Portela e ao planeamento das vias rapidas que foram a Auto Estrada do Vale do Tejo, a 1ª Circular de Lisboa e a Circular Externa de Lisboa.
Estão previstas mais duas sessões sobre esta tematica, sendo mais tarde apresentadas as historias da Urbanização da Portela, da Associação de Moradores e a Criação da Junta de Freguesia.
A proxima Sessão sera na 4ª feira dia 16 pelas 10h00 na Sala Nobre da Portela Sabios.

 Antonio Mesquita na apresentação da Historia da Portela
 Parte do debate entre os alunos
 Um dos primeiros presidentes da AMPortela e 1º Presidente da Junta de Freguesia , Silva Ferreira,esteve presente na sessão
 Discussão acalorada tendo cada um tambem a sua historia na Portela

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07 julho 2012

Para a Historia da Portela - Um conflito entre pares e amigos.

Em meados de 1977 e com a falta de Telefones e Transportes na Portela, eis um desentendimento interessante entre o Presidente da Junta de Freguesia de Moscavide na altura e o Secretario da Associação dos Moradores da Portela.
O ex-Presidente da Junta de Moscavide é hoje um portelense entusiasmado com as causas da Portela. Infelizmente o bancario e jornalista, Marçal Matos Ferreira já não se encontra entre nós, ha ja uns anos.
A Junta de Freguesia de Moscavide responde ao morador e Secretario da Associação dos Moradores sobre o que a Junta tem feito para a colocação deTelefones na Portela, bem como ás solicitações para que se conseguissem Transportes Publicos a servirem a Portela.
Não agradado com a resposta a "empalear", Matos Ferreira pretende obter melhor informação da Junta e como Secretario da AMPortela, pretende melhor informação para transmitir aos moradores da Portela que começavvam ja a ser em numero significativo.
A Junta de Freguesia não gostou e á boa maneira da epoca revolucionaria, disse ja não respondia a mais sobre o mesmo assunto.

Matos Ferreira insiste e insinua na falta de vontade e da capacidade da Junta de Moscavide em tratar dos assuntos da Portela.Foram situações destas que levaram esses elementos da Associação de Moradores a pugnarem pela criação de uma Freguesia na area da Urbanização da Portela.
A Freguesia veio a ser criada em 1985 com a aprovação em Assembleia da Republica, numa 4ª feira 31 de Julho, ultimo dia de funcionamento da AR antes de ferias.
So a 4 de Outubro foi publicado em Diario de Republica a criação da Freguesia da Portela, pelo qual se comemora a efemeride como o dia da Portela.

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06 julho 2012

Contributos para a Historia da Portela - Telefones

Só em Outubro de 1980 se começaram a instalar telefones com normalidade nas habitações da Portela apesar dos primeiros habitantes da Portela terem começado a vir em 1972.
Já em 24 de Junho de 1975 a Associação dos Moradores solicitava no minimo que fossem instaladas na Portela cabinas publicas.

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27 abril 2012

Contributos para a Historia da Portela

Uma sobreposição de duas Cartas Topograficas das Quintas da Portela dos Anos 60 e uma actual ja com todos os Lotes implantados e seus arruamentos e acessos.

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24 abril 2012

Contributos para a Historia da Portela

Uma Carta Topografica dos anos 60,anterior à Implantação da Urbanização da Portela.
Notam-se a Estrada da Circunvalação-Estrada Militar que contorna a sul a Freguesia da Portela e que ficou cortada com a construção do Quartel do ex-Ralis ( hoje Regimento de Transportes), o  Seminario dos Olivais e o Episcopado e as varias Quintas da Portela. A Quinta da Alegria na saida para Moscavide. A Quinta do Casquilho , a Quinta do Ferro, a Qta do Carmo e a Quinta da Vitoria na saida para Sacavem.

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17 abril 2012

Muros das Quintas da Portela

 Muro da Seminario na parte ainda circulavel da Azinhaga do Seminario, que vai do Paço Episcopal para os Bombeiros.
 Demolição do Muro junto ao Antigo Portão do lado Poente da Quinta do Seminario, vendo-se ao fundo ja os Lotes da Urbanização do Cristo Rei.
 Muro de separação do Quartel dos Bombeiros, que tinha sido preservado aquando da Construção do Quartel dos Bombeiros em 1995
 Muros da Azinhaga do Seminario Ao fundo e à esquerda ja terrenos e Lotes na Urbanização da Portela

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16 abril 2012

Contributos para a Historia da Portela -XI

Policia de Choque no tempo do Presidente da Câmara Riço Calado.


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