Parque das Nações ganha “igreja do século XXI”
Nova igreja em Lisboa foi inaugurada no domingo passado dia 30 Março pelo Patriarca.
Nova igreja em Lisboa foi inaugurada no domingo passado, dia 30 de Março pelo cardeal Patriarca de Lisboa. A Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes fica no Parque das Nações, o
local onde decorreu a Expo '98, e que deu origem a uma nova zona
habitacional da cidade e a uma nova freguesia. A Igreja demorou uma década a passar do papel à realidade.Com uma torre de
40 metros, a igreja foi pensada para não passar despercebida. “Tem cerca
de 40 metros de altura, acompanha mais ou menos a altura dos prédios
que estão à volta e a altura do tabuleiro da ponte Vasco da Gama, que
está em fundo. Portanto, ela torna-se também um marco, quase como um
farol que aqui aponta caminho e identifica o lugar”, sublinha o padre
Paulo Franco. “Sempre foi um dos princípios do programa
iconográfico que a igreja fosse visível e que fosse clara a sua
identificação, que se percebesse que há ali alguma coisa importante e
que se percebesse que é uma igreja, um lugar da presença de Deus. Mas
tem outros elementos: a entrada principal da igreja tem a Cruz em
negativo. Na altura, falou-se da retirada dos símbolos religiosos, e, em
brincadeira, o arquitecto dizia: 'Bem, aqui para tirar este símbolo têm
de o destruir, não há outra hipótese'. É também um elemento muito forte
na arquitectura, a entrada com a Cruz, um bocadinho fazendo alusão a
essa referência bíblica em que Cristo é a porta. E quem aqui chega não
tem dúvidas nenhumas que está diante de uma igreja, de um espaço
sagrado.”

O padre Paulo Franco diz que esta é “uma igreja do
século XXI”, a começar pela sua arquitectura circular: “Obedece um
bocadinho ao princípio que o Concílio Vaticano II veio transmitir,
aquando da renovação litúrgica, em que o altar se deve tornar o centro
da comunidade cristã, o centro da assembleia celebrante, e portanto uma
comunidade participativa. É uma igreja do século XXI, com uma
arquitectura do século XXI e para responder às pessoas do século XXI”.
A
igreja só agora é inaugurada, mas a paróquia de Nossa Senhora dos
Navegantes existe desde 2003, e tem vindo a crescer em número de fiéis,
com centenas de crianças e jovens na catequese e nos escuteiros. “A
média de idades é muito baixa, é uma zona com muitos casais novos com
filhos, e isso leva a que haja muitas crianças. Temos para cima de 500
crianças na catequese, mais de 100 jovens em propostas juvenis, o
agrupamento de escuteiros está superlotado, e não conseguimos responder a
todos os pedidos. São escuteiros marítimos, mas pertencem ao Corpo
Nacional de Escutas, ao movimento católico escutista. Tem neste momento
140 jovens”.
"Fazia falta"Para o padre
Paulo Franco, esta é uma igreja que “fazia falta”, e que vem dar
resposta às necessidades desta nova zona habitacional de Lisboa. “Tem
capacidade para 700 pessoas sentadas. Neste momento, nós temos 1.000 a
1.500 pessoas que participam nas celebrações de domingo, e, portanto,
neste momento esta igreja vai responder às necessidades. Obviamente que
eu acredito, porque é essa a experiência que tenho tido nos últimos
anos, que se calhar daqui a um ano ou dois vamos sentir que a igreja já
começa a ficar apertada, mas isso não tem problema, celebra-se mais uma
missa ao domingo”.
A nova igreja não demorou mais de um ano a
construir, mas desde que foi imaginada já passou mais de uma década. O
resultado final agrada ao padre Paulo Franco, que espera que a beleza do
novo templo ajude cada vez mais pessoas a aproximarem-se de Deus. "Mais
importante que a arquitectura, mais importante que a arte é aquilo que
acontece neste espaço, e esperemos que a arte e a arquitectura ajude
todos aqueles que aqui passarem a uma maior proximidade do Senhor",
defende.
O projecto do arquitecto
José Maria Dias Coelho foi
inspirado em Nossa Senhora dos Navegantes e nos Oceanos, que foi o tema
da Expo '98, em cujo território nasceu a nova freguesia do Parque das
Nações. O projecto inclui, além do templo, o centro pastoral, que está a
funcionar desde Outubro, e o salão paroquial, que desde o Natal tem
servido de espaço de culto provisório.
A arte no interior da
igreja é da autoria do escultor
Alípio Pinto e evoca os mistérios
luminosos do Rosário, tendo o retábulo principal a referência à
transfiguração de Cristo. O sacrário está colocado num vitral de seis
metros de altura.
O custo da obra ronda os três milhões de euros e foi suportado pela paróquia, que adquiriu o terreno em 2008.
A
dedicação e inauguração da nova igreja foi marcada para as 16h00 e foi presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.
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