
É Internacional “A” e Universitário, pois só deixa de o ser quando largar as sapatilhas e nesta entrevista fala de todo o seu percurso no mundo do futsal.
Ricardo Caturra [RC]: E que transformações, dos jogos dos ringues para os pavilhões, das faltas ilimitadas às cinco faltas, do tempo corrido ao tempo cronometrado, e mais taticamente do 1/2/1 para o 4/0 e para o 3/1. Tudo isto ajudou e muito para a evolução do Futsal, em todos os sentidos, assim como para a evolução dos jogadores, treinadores e equipas de arbitragem, mas continua a haver, na minha opinião, muita margem de evolução numa modalidade como esta.
FP: Estiveste ligado a um grande clube em Portugal, o Sporting, na altura treinado pelo Orlando Duarte e onde também te sagraste campeão. Como foi digerido o fato de teres sido campeão e no final dessa época sair?

No final da época o Mister Orlando saiu para se dedicar a full-time à Seleção Nacional, chegando o Mister Beto Aranha. Iniciei a época como jogador do Sporting, mas no final da pré-época, o Mister falou comigo, explicou-me que o plantel tinha muitos jogadores o que estava a dificultar o processo de assimilação do modelo de jogo.
Como tinha sido dos jogadores menos utilizados que tinham transitado da época anterior, devido à qualidade que me reconheceu e à jovem idade, achou que o melhor seria “rodar” noutra equipa da 1ª divisão (Atlético), evitando ficar mais um ano com perspetivas de jogar pouco.
FP: Como consideras a tua passagem pelo Sporting Clube de Portugal?
RC: Foi sem dúvida um ano de aprendizagem do que era o Futsal, era tudo novo para mim, quem conhece o trabalho do Mister Orlando sabe bem do que falo, a qualidade estava lá, no entanto faltava aliar todas as outras componentes que são necessárias para jogar numa equipa como o Sporting, que sempre lutou por todos os títulos.
FP: Como foi trabalhar com Orlando Duarte no Sporting, e depois nas Seleções Nacionais, A e Universitária? Existiam diferenças entre um e outro?

FP: Além do Orlando Duarte, tiveste outros treinadores, sendo o mais notório na tua evolução e afirmação como jogador, penso eu, o Luís Alves no SL Olivais. Foram os dois técnicos mais marcantes que tiveste ao longo desta tua carreira?
RC: Foram sem dúvida dois dos treinadores que mais marcaram a minha vida no Futsal, que me ajudaram a crescer, não só como jogador mas também como ser humano, estiveram nos meus momentos mais altos e fizeram de mim o que sou hoje, embora não possa deixar de lembrar também o Mister Carlos André, que me deu a oportunidade


RC: Quando se trabalha nove anos num clube e quando se regressa passados dois anos, em que toda a sua estrutura está inalterada, não se encontram diferenças, é como regressar a uma casa da qual nunca saímos, o que torna a “readaptação” muito fácil, a principal diferença foi a exigência necessária, a todos os níveis, de um regresso a uma primeira divisão.
FP: Fizeste a tua formação na modalidade na equipa do Portela, onde passaste os teus primeiros oito anos, de 1992 a 2000 e onde regressaste 11 anos depois. Pode-se dizer que Portela e SL Olivais são os teus grandes amores na modalidade?
RC: Sem dúvida, é impossível que assim não seja, são as minhas duas famílias, e não falo só a nível do Futsal, foi nestes Clubes que fiz as minhas principais Amizades, onde cresci como homem e como atleta, onde ganhei alguns dos meus melhores Amigos.
FP: O que te une tanto a esses dois clubes?
RC: São dois clubes “bairristas”. Na Portela jogava-se por amor à camisola, como se deveria jogar em qualquer seleção nacional, e o Olivais conseguiu recriar esse mesmo espírito de amor à camisola, onde os laços de amizade entre todas as estruturas são muito fortes.
FP: Sentes que depois de seres um dos atletas mais utilizados na Seleção Universitária (22), que 4 Internacionalizações na Seleção A, souberam a pouco, uma vez que o Selecionador era o mesmo?

FP: Dos quatro mundiais universitários em que estiveste presente, qual foi aquele que te marcou mais?
RC: Foi o primeiro, sem dúvida, pela minha inexperiência e imaturidade em competições deste género, pela realidade do que é um Camp. do Mundo Universitário, por todo o companheirismo inerente a essa Seleção, pelas aventuras e desventuras vividas, por todo o rol de emoções associados, foram aspetos que me marcaram para a vida. Contudo, o principal e que recordarei para sempre, foi poder jogar pela primeira vez contra alguns dos melhores jogadores do mundo, e que alguns deles, hoje, já são lendas do Futsal.

RC: Em relação aos Mundiais Universitários, mesmo de fora, continuo a acompanhar os 7 dias de competição como se do meu clube se tratasse. Foi uma Competição e uma Seleção que me marcou positivamente, e que jamais esquecerei. Já em relação aos CNUs, deixei de acompanhar desde que deixei o ISCAL. Infelizmente estive presente apenas num, mas fico com a ideia de que era uma competição muito mais forte do que é hoje em dia.
FP: E de todas as equipas que integraste nos campeonatos nacionais, qual a que se tornou inesquecível?
RC: O Olivais, por tudo o que consegui como jogador a nível individual e coletivo.
FP: De todos os títulos que conquistaste e do teu bom desempenho, qual foi para ti a melhor época desportiva?

FP: Para um atleta como tu, reconhecido pela tua capacidade técnica, leitura de jogo, inteligência na abordagem do mesmo, sentes que o Atlético, após saíres do Sporting, foi uma aposta falhada?
RC: Tal como já referi, o Atlético não foi uma aposta

FP: Quais as maiores dificuldades tidas nesses dois clubes para apenas permaneceres um ano em cada um?
RC: No Sporting, a adaptação, sem margem para dúvidas. Vinha de uma realidade completamente diferente a nível tático e competitivo, e encontrei jogadores que para além da sua qualidade, já eram bastante evoluídos nessas vertentes, o que tornou mais difícil ganhar o meu “espaço”, mas que me ajudaram bastante na minha evolução.
O Atlético, foi um projeto que fracassou estruturalmente, como infelizmente continua a acontecer no Futsal. Acabei por sair juntamente com o Mister Luís Alves e com mais cinco jogadores para o Olivais, onde acabámos por relançar as nossas carreiras. Foi mais uma decisão feliz e acertada da minha carreira.

RC: Para ser sincero, a minha carreira devia ter terminado há três anos quando me mudei para a Portela. As obrigações de Marido e de Pai estavam e estarão sempre em primeiro lugar, era juntar o útil ao agradável no clube que me viu nascer para o Futsal, estar perto de casa e conciliar os treinos/jogos com a disponibilidade familiar, e numa equipa de amigos, sem grandes obrigações desportivas para uma 3.ª divisão, mas a nossa qualidade não deixou que isso acontecesse, fomos mais longe do que alguém poderia imaginar. Voltámos a criar a verdadeira mística da Portela, subimos de divisão e fomos eliminados pelo Modicus nos 1/4 final da Taça de Portugal num grande jogo, sinal de que estávamos vivos, e o “bichinho” voltou a despertar…

FP: Foste campeão em todas as divisões nacionais, embora em clubes diferentes. Achaste benéfico o término da 3.ª Divisão?
RC: É uma questão onde ainda tenho algumas dúvidas, pessoalmente não acho que tenha sido benéfico, embora financeiramente seja menos dispendioso para os Clubes. Já a nível competitivo não me parece que seja mais vantajoso, mas só com o decorrer dos campeonatos é que poderemos ter uma ideia dos prós e dos contras.
FP: Amigo Caturra, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?
RC: Acho que está tudo dito, fizeste-me reviver 23 anos de Futsal, tantos momentos, tantas alegrias, poucas tristezas, tantos amigos, tantos jogadores e alguns treinadores. Queria agradecer-te pelo convite para responder às tuas perguntas, foi um prazer, espero que continues o bom trabalho em prol do Futsal, seja como jornalista, seja como treinador, o Futsal merece uma pessoa como tu. Tenho orgulho de ter tido o prazer de ter sido teu colega e adversário, um grande abraço meu amigo.