 As freguesias da zona oriental do concelho de Loures reuniram-se e, no dia 10 de fevereiro, realizaram uma conferência de imprensa no Centro Cultural de Moscavide, com o objetivo de manifestarem a sua posição perante o facto de 100 mil habitantes não estarem abrangidos pelo Hospital de Loures. Foi perante uma sala cheia, que os presidentes das juntas de freguesia de Bobadela, Moscavide, Prior Velho, Sacavém, Santa Iria de Azóia e São João da Talha deram a conhecer a posição das suas autarquias quanto à área de influência do Hospital Beatriz Ângelo. Na nota de imprensa distribuída aos jornalistas era possível ler-se: “Apesar de também termos contribuído para o terreno e acessibilidades ao hospital, ficámos com a pior solução ao sermos enviados para as urgências do Hospital de São José, que já se encontravam saturadas, piorando com a entrada de mais 100 urgências diárias”. “Fomos literalmente enganados”, referiu Nuno Dias, presidente da Junta de Freguesia da Bobadela. “O acordo assinado com Administração Regional da Saúde (ARS) previa que estas freguesias seriam servidas pelo Hospital Curry Cabral até à construção do novo Hospital de Todos os Santos. Nós não defendemos que devemos ir para Loures. Aquilo que defendemos é que, sem dúvida nenhuma, não podemos ir para São José. É um hospital que não serve ao nível dos transportes nem das acessibilidades”. Ernesto Costa, presidente da Junta de Freguesia de Santa Iria de Azóia, era da mesma opinião: “Foi-nos dada a pior solução, tendo sido atirados para o outro lado da cidade sem qualquer justificação. Existem outras soluções como é o caso do Hospital de Santa Maria que vai perder os cerca de 260 mil utentes de Odivelas. De qualquer forma o Hospital de Loures tem capacidade para receber os habitantes destas freguesias sem criar qualquer transtorno ao funcionamento da instituição hospitalar”. Para Daniel Lima, presidente da Junta de Freguesia de Moscavide “esta conferência de imprensa já foi uma vitória”. De acordo com o autarca “conseguimos desbloquear a situação de espera em relação aos ofícios enviados pelas sete freguesias há mais de três semanas, aos quais nunca tivemos resposta. Assim que organizámos esta conferência, o Ministro da Saúde, convocou, para hoje, uma reunião com o presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira. Ficamos a aguardar desenvolvimentos. Espero que haja bom senso do governo e que seja encontrada uma solução que não prejudique a população desta zona oriental”.
Presentes no evento estiveram ainda o Vice-Presidente da Câmara de Loures, João Pedro Domingues, e os vereadores Ricardo Leão e Ricardo Lima. Utentes da zona oriental terão de ir para São José Nesse mesmo dia, Carlos Teixeira, reuniu com o Ministro da Saúde, Paulo Macedo, e a ARS, no sentido de encontrar uma solução para os cerca de 100 mil utentes da zona oriental do Concelho de Loures. Em declarações à Lusa, Carlos Teixeira refere que ”aquilo que o Governo nos disse é que estes utentes vão ter mesmo de ir para o Hospital de São José, mas mostrou abertura para encontrar soluções que minimizem não só o facto de terem de ir para lá como também as condições de lá chegarem”.
De acordo com o autarca, uma dessas soluções poderá ser a criação de um parque de estacionamento junto aos Hospital de São José, uma medida que terá de ser estudada juntamente com a Câmara de Lisboa.
O Presidente da Câmara de Loures adiantou ainda ter ficado em “aberto” a possibilidade de alguns utentes poderem vir a utilizar pontualmente, ou o Hospital de Santa Maria ou outro que fique mais próximo da sua residência.
“Para já são só possibilidades porque o Governo não se comprometeu com nada”, referiu Carlos Teixeira, acrescentando que o executivo alegou que poderia criar “problemas de gestão hospitalar” se cumprisse a vontade da Câmara de Loures. |